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AUSÊNCIA EM MADRID

Atualizado: 18 de mai. de 2023

Pelo segundo ano seguido, Masters 1000 de Madrid não tem a presença um de seus grandes ídolos


Não, não estamos falando de Rafael Nadal. Apesar de Rafa ser uma dura baixa no principal torneio de tênis da Espanha, realizado desde 2002 em Madrid, na famosa Caja Magica, a temporada 2023 novamente sentirá a falta da primeira grande estrela do tênis espanhol: Manolo Santana.


Falecido em 2021, aos 83 anos, o madrilenho foi o primeiro tenista de seu país a vencer um Grand Slam. Aos 23 anos, em 1961, ele era considerado um dos mais habilidosos jogadores de seu tempo. A facilidade com que golpeava a bola era tão grande que muitos passavam vergonha ao jogar contra ele, especialmente nas quadras de saibro, onde distribuía deixadinhas nas oportunidades menos prováveis, desconcertando adversários, isso sem falar dos ângulos incríveis que conseguia.


Naquele ano, Manolo fez a final de Roland Garros contra a lenda italiana Nicola Pietrangeli, que tentava nada menos que o tricampeonato seguido. Em uma das batalhas mais incríveis já ocorridas na terra batida francesa, Manolo conseguiu uma vitória suada. “Fiz ele lutar por todos os pontos”, disse – quem sabe antecipando a filosofia que até hoje perdura na escola espanhola de tênis. Ao final, incrédulo com a conquista, chorou copiosamente, e logo foi confortado por Pietrangeli.


Assim como a maioria de seus compatriotas depois, seu jogo se encaixava melhor nas lentas quadras de saibro do que no cimento e especialmente na grama, piso que ele admitia não gostar. Ainda assim, anos depois, ele conseguiu vencer na grama. Primeiro em Forest Hills, no US National Championships, que mais tarde se tornaria US Open (vale lembrar que até 1974, ele era jogado em grama, depois passou para saibro e finalmente, em 1978, para cimento).



Sua vitória veio em 1965, quando venceu Cliff Drysdalle, da África do Sul, na final. Foi a primeira conquista de um europeu desde 1928 no Grand Slam norte-americano. Contudo, Manolo não se contentou com esse título. Faltava em sua galeria de troféus, o principal: Wimbledon. Sendo assim, no ano seguinte, ele decidiu não disputar Roland Garros, torneio que havia vencido em 1961 e 1964. Sua meta era se concentrar para o Major inglês. Depois de cinco semanas de preparação, seu plano deu certo ao vencer o norte-americano Dennis Ralston na final.


Naquele mesmo ano, Manolo foi considerado número 1 do mundo. Em 1968, ganhou a medalha de ouro olímpica, em um ano em que o tênis era apenas um esporte de exibição na Olimpíadas. Sua determinação e seu carisma foram extremamente importantes para fomentar o tênis espanhol nos anos seguintes e inspirar outra lenda: Nadal, que, assim como Santana, foi muito além do saibro.


Escrito por: Arnaldo Grizzo

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