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Como surgiu o Aberto da Itália?

Da química, ao futebol, passando pela patinação, pelo “ll Duce” e chegando ao tênis



O torneio Internazionali d’Itália, que comumente conhecemos hoje como Masters 1000 de Roma, nasceu em 1930 e, acredite, não foi jogado em Roma, no famoso Foro Itálico, mas no Tênis Clube de Milão. Pois é, somente a partir de 1935 é que o torneio foi sediado no local antigamente chamado de Foro Mussolini (em homenagem ao famoso Duce italiano), construído a partir de 1928 num projeto do arquiteto Enrico Del Debbio com vistas aos Jogos Olímpicos de 1940 – que teoricamente seriam realizados em Roma, mas nunca ocorreram.


Mas deixemos de lado um pouco o fascismo e a guerra e voltemos às origens. O torneio foi idealizado por um dos homens mais importantes da história do tênis italiano. Não, não foi o multicampeão Nicola Pietrangeli, que mais tarde daria nome à uma das quadras principais do complexo, mas o Conde Alberto Bonacossa. Quem?


Bonacossa nasceu em Vigevano, uma cidade perto de Milão, em 1883. Era um jovem apaixonado por esportes, mas foi estudar química na Suíça. Lá, jogou futebol por alguns clubes, mas sua “febre” era tênis. Tanto que escreveu o primeiro manual de tênis italiano e, em 1920, participou da Olimpíada da Antuépria. Apesar da ânsia pelo esporte, Bonacossa provavelmente não era um grande jogador, pois perdeu na primeira rodada.


Em 1930, ele era presidente do Tênis Clube de Milão e decidiu realizar o primeiro Aberto da Itália. O primeiro vencedor foi ninguém menos que o lendário Bill Tilden, um dos maiores jogadores de todos os tempos, que venceu facilmente um dos astros italianos da época, Uberto de Morpurgo. Mesmo aos 38 anos, Tilden perdeu apenas 4 games na final. O campeonato seguiu e foi um sucesso, atraindo alguns dos melhores jogadores como o inglês George Patrick Hughes e o francês Henri Cochet, por exemplo. Depois de 1935, quando foi transferido para o Foro Itálico (Mussolini, na ocasião), precisou ser interrompido pela II Guerra.


Patinação, Pietrangeli e Panatta


Nesse meio tempo, Bonacossa aproveitou para vencer dois campeonatos italianos em duplas, mas também para se especializar em outro esporte, a patinação artística, em que foi campeão diversas vezes, inclusive em dupla com sua esposa Marisa. Ele também esteve envolvido com automobilismo e esqui, além de ter sido dono do jornal esportivo mais famoso da Itália, o Gazzetta dello Sport.


Mas, voltando ao Aberto da Itália, ele só retornaria em 1950. Naqueles anos dourados, os italianos viram nomes como Jaroslav Drobný, Frank Sedgman, Budge Patty, Doris Hart, Maureen Connolly, Althea Gibson etc. brilharem em suas quadras.


A história vitoriosa de Nicola Pietrangeli no torneio começou em 1957, com sua primeira final. Ele foi novamente finalista em 1958. Mas seu auge certamente foi em 1961, quando o torneio foi disputado em Turim, em homenagem ao centenário da Unificação Italiana. Naquele ano, Pietrangeli venceu ninguém menos que Rod Laver. Ele ainda jogou sua última final em 1966, contra Tony Roche, mas perdeu. Nos anos 1970 foi a vez de Adriano Panatta dar alegria ao torcedor italiano. Ele venceu em 1976 (mesmo ano em que ganhou Roland Garros) sobre o argentino Guillermo Vilas. E, em 1978, fez novamente uma final, mas foi derrotado no quinto set por Bjorn Borg.


Brasil e recordes


Muitos vão lembrar do título de Guga no torneio de 1999, mas o sucesso brasileiro vem de antes. A primeira vitória foi de Maria Esther Bueno em 1958. Ela repetiu a dose em 1961 e novamente em 1965, isso sem falar nas duplas de 1962. Mas antes mesmo de Gustavo Kuerten, o Brasil tem um título de duplas com Thomaz Koch e Ronald Barnes em 1965 e outra final também de duplas com Danilo Marcelino e Mauro Menezes em 1989 (eles perderam para ninguém menos que Jim Courier e Pete Sampras).


Nem é preciso dizer que o maior vencedor do torneio é o espanhol Rafael Nadal, com 10 títulos em 12 finais. Sua primeira final foi em 2005, no clássico inesquecível contra o argentino Guillermo Coria, pouco antes de completar 18 anos. Mas Rafa não é o vencedor mais novo na Itália, esse recorde é de Bjorn Borg, que ganhou em 1974 com 17 anos, 11 meses e dois dias. O mais velho? Bill Tilden, com 38 anos. Entre as mulheres, Chris Evert tem cinco títulos em sete finais. Ela é seguida por Serena Williams, Gabriela Sabatini e Conchita Martinez, com quatro. A espanhola, aliás, venceu quatro edições seguidas entre 1993 e 1996.


Escrito por: Arnaldo Grizzo

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