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O PLANO SECRETO

Atualizado: 18 de mai. de 2023

Vencer o Australian Open seria o prenúncio de um objetivo maior?


Loren Elliott/Reuters



Em sete jogos, um único deslize. Um set perdido na segunda rodada contra um qualifier. Depois disso, ninguém mais conseguiu parar Novak Djokovic e sua fenomenal caminhada para alcançar o 22º Grand Slam na carreira. Nole talvez não admita, mas chegou ao primeiro Major do ano com um único objetivo, vencer a qualquer custo. Era uma forma de provar a si mesmo e, de certa forma, calar os críticos – depois de ter sido proibido de participar do torneio no ano anterior por não ter se vacinado contra Covid-19.


Ao vencer, Djokovic empatou com Rafael Nadal como os dois homens que mais venceram Grand Slams na carreira. Mas a meta do sérvio, com certeza, não é apenas igualar o espanhol. Em sua mente, figura a ideia de superar esse número e, se possível, coroar sua fenomenal carreira com o “Grand Slam” verdadeiro. Ou seja, vencer os quatros maiores torneios do mundo (Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open) numa mesma temporada. Dois anos atrás, ele esteve a uma vitória de conseguir essa proeza, mas perdeu a final do US Open.


Seu 10º troféu na Austrália o credencia a tentar mais uma vez repetir o feito que apenas dois outros homens conseguiram na história: Rod Laver, em 1962 e 1968, e Don Budge, o primeiro a realizar em 1938. E o momento de Novak nos faz voltar exatamente 85 anos no tempo.


O nascimento do Grand Slam



Em 1937, aos 22 anos, John Donald Budge, o gigante ruivo, venceu Wimbledon e o US Open, ajudou o time americano a ganhar a Copa Davis e terminou a temporada como número 1 do mundo. Na época, os melhores atletas amadores eram rapidamente cooptados pelo dinheiro das turnês profissionais. Don Budge, obviamente, recebeu ofertas vultuosas, mas decidiu que continuaria como amador por mais um ano. Só lembrando que os mais prestigiados torneios de então eram amadores e os jogadores ditos “profissionais” (que jogavam por grana) não podiam competir.


A desculpa de Budge foi que ele queria disputar a Davis Cup outra vez. No entanto, seu plano era mais ambicioso: vencer os quatro maiores torneios do planeta, “fechar” o Grand Slam. Vale lembrar que o termo Grand Slam (emprestado do golfe) ainda não era tão difundido no tênis, tendo sido vagamente mencionado alguns anos antes quando o australiano Jack Crawford, tal como Djokovic em 2021, também esteve há uma vitória de vencer todos os Majors (perdeu para Fred Perry no US Open).


Em 1938, Budge queria se despedir do circuito amador em grande estilo. Ele não revelou seu plano a ninguém a não ser seu parceiro de duplas Gene Marko – contra quem, curiosamente, disputou a final do US Open, que selaria seu feito pioneiro. A verdade é que a conquista de Don não foi ameaçada em um estante sequer naquele ano. Sua superioridade se provou tamanha que, enfim, o termo Grand Slam passou a ser conhecido. E se, originalmente, Grand Slam significava vencer os quatro Majors, hoje, contudo, é usado para se referir a qualquer um deles: Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open. E para se ter ideia de quão difícil é alcançar tal empreitada, apenas 15 anos depois alguém conseguiu repetir a proeza: Maurren Connolly. A última pessoa a conquistar o Grand Slam? Steffi Graf em 1988.



Escrito por: Arnaldo Grizzo


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