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O torneio do aviador

Atualizado: 24 de ago. de 2023

O homem que dá nome ao Grand Slam francês gostava mesmo era de pedalar




Há pouco mais de um mês do término da I Guerra Mundial e um dia antes do seu 30º aniversário, o avião de Roland Garros foi abatido em Ardennes pelo exército alemão, em 5 de outubro de 1918. Essa não foi a primeira vez que sua aeronave havia sido atingida em batalha. Em 1915, caiu alvejado pela artilharia alemã perto da Bélgica e foi levado prisioneiro. Conseguiu fugir depois de quase três anos e, mesmo debilitado, decidiu voltar para a guerra. Desta vez, contudo, morreu.


“A vitória pertence aos que mais perseveram”. Esse lema, atribuído a Napoleão, era o mote desse jovem intrépido, que gravou a frase nas hélices de seu avião. A perseverança era mesmo uma de suas principais características. Aos 12 anos, contraiu pneumonia e abraçou o ciclismo como forma de recuperar a saúde. Afeito aos esportes, ele praticava futebol, rugby e também tênis, mas pedalar era seu passatempo favorito. Isso até 1909, quando foi convidado a ir a Reims e lá presenciou um show aéreo.


Assim como o tênis, a aviação ainda era incipiente naqueles tempos. E, também como no tênis, estávamos na época das façanhas de pioneiros corajosos, que se aventuravam para cobrir mais distâncias ou alçar voos mais altos e rápidos. Tudo era novidade e motivo de orgulho. Roland Garros logo adquiriu um avião e aprendeu a pilotar. Foi um dos atingir recordes de altitude na época, mas seu principal feito foi atravessar o Mediterrâneo sem paradas em setembro de 1913, em um voo que durou quase oito horas – o primeiro a conseguir tal proeza na história.


Relação com o Brasil




Um ano antes, Garros esteve no Brasil, onde realizou diversos feitos, entre eles cruzar a baía de Guanabara e fazer o trajeto de São Paulo a Santos, ações inéditas até então. Isso fez com que fosse aclamado por aqui. Mas sua relação com o nosso país é mais antiga, pois o primeiro avião que o francês adquiriu foi um Demoiselle, construído por Santos Dumont – com quem ele nutriu grande amizade.


Por onde passou, Roland Garros se tornou uma celebridade. Na Itália, por exemplo, foi o primeiro a sobrevoar o Vesúvio e, por isso, ganhou recepção digna de rei em Roma. Ele venceu diversas provas de corrida, na França, na Áustria etc. Durante a I Guerra, desenvolveu uma forma de aprimorar o uso de armas em aviões – projeto que acabou caindo em mãos do inimigo quando de sua captura. Em pouco tempo, seu nome se tornou uma lenda. E, obviamente, sua morte comoveu os franceses.


O torneio




Em 1927, a França venceu a Copa Davis pela primeira vez, rompendo assim a hegemonia que havia entre americanos, ingleses e australianos. Como na época a equipe vencedora defendia seu título em casa, os franceses decidiram que precisavam de um estádio à altura do espetáculo. Até então, o torneio – que haveria de ficar conhecido como Roland Garros – era disputado nas modestas dependências do clube Stade Français, do que o aviador foi membro. Após uma disputa com a prefeitura de Paris, o clube cedeu um terreno em frente ao Bois de Boulogne, um dos maiores parques da cidade, para a construção de um estádio para 10 mil pessoas – mas desde que o local levasse o nome de seu mais famoso associado, morto 10 anos antes: Roland Garros. Desde então, o torneio francês passou a ser disputado lá e o nome do lendário aviador ficou eternizado também no meio do tênis.


Escrito por: Arnaldo Grizzo

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